Yoani Sánchez: a ideologia que convém, o patrocínio que não falta

Desde 2007, quando começou a divulgar seu blog “Generation Y”, a cubana Yoani Sánchez vem aumentando seu público nas redes sociais. Recentemente, obteve autorização para sair do país em viagem de “negócios” pelo mundo. Há alguns anos, no entanto, já tinha deixado a ilha para morar na Suíça, de onde retornou depois para continuar a compartilhar com seus seguidores os “desatinos” que verifica em sua pátria.
A primeira escala da blogueira cubana, há poucos dias, foi o Brasil, começando pelo nordeste. Esteve no Congresso Nacional, recebida quase que com honras de Chefe de Estado por alguns líderes da obscurantista oposição liderada por seres como o deputado Bolsonaro, Aécio Neves e sob aplausos de tucanos, demos e “ex-comunistas”. A fauna que a acompanha, já velha conhecida de brasileiros que a cada dia mais se utilizam da internet para fugir da manipulação descarada promovida pela grande mídia, pelo monopólio da comunicação que aqui viceja, poucas vezes festejou tanto uma visitante.
Yoani veste-se franciscanamente. Nenhum traço de maquiagem, de luxo. Parece gostar de expor o rosto quase esquálido, de quem ressuscitou de um calabouço após anos de confinamento. É o figurino que combina com o que quer dela a direita internacional. Qualquer sinal de vaidade é desautorizado. E ela não parece disposta as contrariar normas. A galeria de prêmios, troféus e cheques que embolsou nos últimos anos por conta de sua popularidade insuflada desde a Casa Branca, por governos europeus, empresários e desafetos do governo cubano e de governos socialistas ou de esquerda, não permite que desafie seus tutores.
A turnê internacional que a levará do Brasil para outros tantos países europeus, da América Latina e Estados Unidos, até abril – pelo menos este é o prazo estimado da viagem – recheará com mais alguns milhares de euros e dólares a bagagem da cubana. Um futuro de celebridade, pois, a aguarda, bem mais do que a popularidade da qual já desfruta hoje.
Jornalista e filósofa formada em Cuba, a quase quarentona Yoani aumenta seu sucesso a cada nova espinafrada que dá nos principais líderes de seu país, Fidel e Raul. E ela não economiza impropérios nesta sua missão “espinhosa”, mas muito, muito lucrativa como se tem visto. Inteligente e ardilosa, não encontra qualquer dificuldade para se expressar. Só engasga quando convocada a explicar quem são seus patrocinadores, mas não tergiversa quando instada a justificar sua aprovação ao embargo econômico que os Estados Unidos aplicam há quase meio século à pequena ilha, libertada – pelas armas – do domínio de Fulgêncio Batista em meados do século passado, a famosa Revolução Cubana capitaneada pelos irmãos Castro e Che Guevara.
Yoani tem o discurso pronto de uma oposição brasileira que desaprendeu o verbo e vive às turras com o eleitor, açoitada sem dó a cada confronto com as urnas. É o mesmo discurso que servirá aqui, na Alemanha, Venezuela, Estados Unidos à direita avessa a pobres, direitos trabalhistas, programas sociais inclusivos, soberanias nacionais. Na verdade, Yoani só precisa desancar seu país, jogando aqui e ali uma e outra frase acusatória, de preferência sobre os direitos humanos em Cuba. A idéia é mostrar que Cuba é um fracasso, em que pesem as estatísticas disponibilizadas pelo país, que o igualam aos mais desenvolvidos em setores como saúde e educação, sem falar no elevado nível de consciência política de seus cidadãos.
Cabe a Yoani vociferar que a ilha caribenha, que a pariu para o mundo, é um arremedo de civilização, lixeira do mundo, antro de torturadores. O resto a grande mídia global se encarregará de amplificar, demonstrando que governos amigos de Cuba são, por definição, inimigos da liberdade, terras de ditadores. Nem um pio, porém, dará a cubana, ao longo de sua trajetória ao redor do globo, sobre seus numerosos anfitriões e “apoiadores” que patrocinam guerras, matanças sem fim, golpes de estado (Honduras, Paraguai, Chile, Brasil etc etc) sob pretextos os mais vis. O mundo deles é o dela: dos privilégios, do abismo entre pobres e ricos, da manipulação da opinião pública. Os sonhos de Yoani são os mesmos das celebridades que correm ao Twiter e às redes sociais para denunciar aeroportos brasileiros infestados de trabalhadores e empregadas domésticas, porque não admitem um planeta sem castas, servos e senhores.
Nunca o ditado diga com quem andas e te direi quem fez tanto sentido. Yoani é a queridinha da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), organização de direita que reúne os maiores oligopólios de mídia da América, em especial da parte Sul do continente, todos marchando perfilados contra os governos de esquerda da região, todos de ideologia neoliberal até a medula. É a nova musa, também, do Instituto Millenium, QG brasileiro da direita midiática e de seus patronos.
Estamos contribuindo para a construção do grande e magnífico novo porto cubano. Em seu próximo ciclo turístico e “ideológico” pelo mundo, a blogueira talvez possa trocar o avião por um navio de cruzeiro. Euros e dólares não lhe faltarão para navegar e propagar seu ódio, regiamente financiado. Pensando melhor, Yoani deveria sim fincar residência em Miami, capital mundial dos contrarrevolucionários. Para ela, o paraíso está a poucas milhas marítimas de seu quintal cubano.

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