Das diferenças e do ódio

Não considero a hipótese de perder amigos, distanciar-me deles, de ver essas relações esfriarem por diferenças ideológicas. Levo este mantra também ao plano familiar. Confesso, antes de seguir adiante, que não é uma opção fácil. Em geral, não fomos talhados para aceitar diferenças. E muitos de nós, não só em relação à ideologia política que professamos, mas a outras diferenças que nos travam a visão, a razão e o discernimento, enfrentamos tais embates diariamente.
Começo pelo óbvio: o que nos embaça o raciocínio, nessas horas, é o despreparo para fazê-lo. Porque o debate, qualquer que seja, exige conhecimento, cultura geral, leitura, reflexão e principalmente, capacidade de se expor a tudo e, ao final, concluir com o espírito aberto, oxigenado, apaziguado, nunca de que tem detém a verdade, mas daquele que se credencia a ser ouvido pela qualidade dos argumentos brandidos.
Não é, seguramente, na velha e grande mídia que vamos nos abastecer de conhecimento. É preciso abrir o leque, sair da zona do conforto, do tudo explicado e servido já mastigado para irmos além na capacidade de interpretar o que nos jogam, a todo minuto, diante dos olhos. Se descartarmos este exercício básico e preferirmos que digam por nós o que nos cabe, como cidadãos e seres inteligentes, senhores do próprio arbítrio, buscar, acreditar ou negar, em vez de acumularmos outros bônus mais valiosos que a vida oferece, estamos descendo a ladeira desenfreadamente. Ao invés de indivíduos, seremos massa, dependentes de um pastor para guiar nossa caminhada. E ao debatermos idéias e reconhecermos que a diferença se instala, pode nos parecer mais prático reagir com energia e truculência para debelar o conflito.
Entendo bem de preconceito. Sei do que ele é capaz. Mas, na raiz oculta do que estou a escrever, é esta palavra que elimina qualquer bom senso, sepulta o diálogo, faz inimigos. No âmago da questão, a desinformação, a falta de trato com o dom maior que detemos: p da inteligência, a racionalidade, que nada acrescentam se não estiverem a serviço da evolução a que, segundo entendo, estamos todos predestinados a construir.
Meus neurônios não dão conta de suprir tudo de informação e conhecimento de que necessito para não ser manipulado. Na melhor das hipóteses, fazem-me menos vulnerável. Servem, contudo, para frear eventuais impulsos de manipular a outrem. Sou o que sou, somos o que somos, afinal, originalmente por obra de amigos e de familiares. Filhos ou órfãos das diferenças. São essas diferenças que nos despertaram o prazer – ou ódio – pela convivência democrática. Quem sai aos seus, felizmente, também degenera, para o bem e para o mal, longe daqui aprisionar a vida em maniqueísmos tolos.
A paixão, é o que se diz, vem pelas mãos do coração. O ódio, se nos toma e açoita, se nos impede de raciocinar, precisa de bons argumentos para se explicar. Você os tem, de fato, quando enclausura sua sede de “saber” nas telas da Rede Globo, de uma CBN, de uma Folha de São Paulo, “Estadão”, Veja, Zero Hora, O Globo e outros desses veículos controlados por meia dúzia de famílias?
Sem ódio e por outras, muitas e muitas outras fontes de informação, assino.

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