Palestina na ONU: não como deveria, mas mais próxima de “pertencer” ao mundo

O noticiário da semana já indicava que Israel, querendo ou não, prepara-se para assimilar o duro golpe vindo da ONU. E ele veio, inapelável, ainda que não com o desejado endosso dos quase 200 países membros. Mesmo assim, a elevação da Palestina como Estado observador não membro da ONU foi aprovada por ampla maioria nesta quinta-feira, 30 novembro, por ocasião da Assembléia Geral da entidade. Dos 193 membros, 138 aprovaram, 41 se abstiveram e apenas nove foram contra, encabeçados pelos Estados Unidos e Israel. Curioso é que o coro desafinado liderado pelos governos de Washington e Tel-Aviv, contra a inclusão da Palestina incluiu Canadá e República Tcheca, além de outras cinco potências de primeira grandeza na ordem política e econômica mundial, a saber: Mauli, Panamá, Nauru, Micronésia e Paulu. Mas não se descarte os “em cima do muro”, que não querem se indispor com a Casa Branca e com o Estado de Israel. Afinal, foram 41 abstenções.
Como Estado observador, a autoridade palestina pode participar das sessões da ONU, mas sem direito a voto, mesmo caso do Vaticano e, até 2002, da Suiça, que só então se tornou Estado membro da organização. Como teriam se comportado nossos vizinhos, notadamente Colômbia e Chile, e até mesmo um mais distante, o México, nem sepre inclinados a desafiar o Império do Norte? Tentei, mas não encontrei o painel geral da votação para tirar minhas dúvidas. Abstiveram-se?
Bem, solidário com os palestinos e com os judeus (uma minoria) que ainda defendem a paz e o direito do vizinho de ter seu próprio Estado, já me alegro com o governo brasileiro, que desde 2010 reconhece a Palestina como Estado. Aliás, o Brasil foi um dos co-patrocinadores da proposta vitoriosa aprovada ontem pela ONU. India, China, Rússia e Turquia também não amarelaram. Palmas para esses emergentes! Desastrada mesmo foi a Alemanha, que rompeu sua tradição na ONU e se absteve.
Por último, o esperado: Israel, desapontada com a proporção de votos favoráveis à inclusão do inimigo como Estado observador, já deu o troco, menos de 12 horas depois da decisão da ONU: anunciou que vai intensificar a construção de assentamentos nas colônias tomadas aos povo palestino. Mais 3.000 casas!

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