Lua cheia

Noite de Lua quase cheia. Meus ancestrais me convocam a uivar. Dodô não me acompanha. Recuou na alegria depois que Junior, nosso companheirinho de 13 nos deixou no início de setembro. Resta-me um uivar contido, solitário, que só outros lobos identificariam. E não me acanho, entôo o lamento. E por quem esses uivos que remetem a ventos gelados, escarpas nevadas, vales silenciosos que cercam a alma?  Pelos descobertos, pelos sem pão, sem dentes, sem chão e teto, sem livros e letras, sem circos e tablados, sem profissão, sem amigos e protetores, desconsolados, resignados, quase entregues, agonizantes. Mas que ressuscitam, comem, vestem-se, cantam, dançam, escrevem, aplaudem, riem, lêem ao menor sinal de um gotejar de solidariedade em suas frontes expostas.

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