Epitáfio para os 90 anos da Folha

A Folha de São Paulo está completando 90 anos. No mundo atual, longevidade, aos poucos, tem tido sentido de rejuvenescimento interior, uma mescla de criancice e sabedoria, experiência para filtrar o que se deve ou não levar em conta para viver bem, com saúde, e em relativa paz com o eu e o nós. No caso dessa senhora, a Folha, no entanto, idade é sinônimo de pura senilidade. Que já vem do berço, do parto, de nove décadas ou, pelo menos, das duas ou três últimas delas, em estado de pecado, mas aquele que nem os 10 mandamentos revelados por Moisés ousaram prever. Ninho de mesquinharia, da anti-brasilidade, da disseminação de valores que só subtraem à espécie humana. Ao mesmo tempo, é de nos fazer pasmar conhecer que este jornaleco tenha ido tão longe na linha do tempo. Por que será? Não por méritos, claro. Talvez por ser o bastião da direita brasileira e universal, que toma o lado oposto da sociedade que ela representa como um mal a ser eliminado, ou, no mínimo, mantido sob controle.  Há muitos anos, mais de 15, não leio sequer a capa deste jornal. Há quatro, quase cinco anos, não vejo a TV Globo. Há vinte, não compro uma revista Veja, IstoÉ. Não “encaro” uma Caras nem variando,  com febre de 40 graus. Provavelmente não me alimento nem me exercito como a saúde requer, mas já me agrada intimamente saber que estou livre dessas toxinas que envenenam o presente, tentam desfazer em névoa negra o passado, matam – a cada dia – um pouco do futuro. Morta, ao que me parece, a Folha já está. Pelo menos no que me toca. O sepultamento já passou da hora, mas dependerá de seus leitores, vetusta senhora. Enquanto eles a tomarem com respeito, com idolatria, como a única cartilha que se permitem folhear, não terão parâmetros para defenestrá-la de suas vidas. Mas a morte a ninguém poupa, este é o nosso consolo…

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Comentários

  • Bruno Rabelo  On 19/02/2011 at 11:26 PM

    A democracia sempre é a principal conquista de uma sociedade
    Meios de comunicação: indispensáveis na divulgação da verdade
    Quando um jornal completa 90 anos, temos que sim comemorar
    Não pela empresa em si, mas pela contribuição que se pôde dar

    Criado pela família Mesquita, o 1º nome foi “Folha da Noite”
    Depois modernizada por Nabantino, que assumiu o controle
    E logo tratou de apaziguar picuinha de Matarazzo e Chatô
    Trazendo como trunfo a imparcialidade política para o leitor

    Com o crescimento da publicação, o que era 1 jornal virou 3
    Folhas da Manhã, Tarde e Noite: para todo tipo de freguês
    Já em 1960, o que estava plural, transformou-se singular
    Antes “Folhas”, agora Folha de São Paulo, nome a vigorar

    Em 1964, com grande expressão, teve seu primeiro pecado
    Ao lado dos militares, apoiou no Brasil o golpe de estado
    Por covardia, aceitou a submissão, vergonha, boca fechada
    Já outros veículos não admitiram suas páginas censuradas

    Mas a Folha se redimiu: papel importante nas Diretas Já
    No Impeachment, Mensalão e outros casos a considerar
    Não é por acaso, há tempos, um dos grandes da informação
    Muito mérito no passado e, certamente, nas páginas que virão

    http://noticiaemverso.com
    twitter: @noticiaemverso

    • coiote52  On 20/02/2011 at 7:41 PM

      De seu comentário, posso imaginar que sejas um voraz leitor da dita cuja. Curioso é que não tenha se manifestado sobre o brilhante papel do jornal. ao lado de Estadão, O Globo, Veja e outros da mesma laia, nas últimas eleições presidenciais, particularmente…

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