Em nome de um Deus impiedoso

Pecado da Carne (Elnaym Pkuhot, no original)  é um filme avassalador. Aviso que não gosto dessa palavra, mas não me ocorre outra mais adequada para descrever o impacto com que este drama me atingiu. Premiado em diversos festivais, mundo afora, a obra do diretor Haim Tabakman traça ressurreição e morte do açougueiro Aaron Fleishman (Zohar Shtrauss),  que vive com a mulher e quatro filhos num bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Íntegro, apegado aos seus deveres religiosos ele se redesenha diante dos próprios olhos ao conhecer o jovem estudante Ezri (Ran Danker), a quem oferece abrigo e se entrega a uma paixão devastadora.

O filme tem uma fotografia sisuda, mas insinuante, fatidicamente bela. Não falta em correspondência com a tormenta que vai se delineando na trama. A opressão de todo o bairro não tarda em recair sobre o pecador. Uma mutilação de sentimentos, de direitos, que fere a razão. Violência e imbecilidade irmanadas.

Digo que é uma obra prima, de excepcional qualidade. Quiçá fosse tema de debate nas nossas escolas, entre nossos adolescentes, jovens!  É de todo apocalíptico, não tenho dúvida. Mostra que as religiões são o sótão da intolerância, da degeneração intelectual, do preconceito, do fanatismo órfão de sensibilidade humana e que estão no âmago de todas as guerras.

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