As dúvidas de Dom Avis sobre Dilma e as nossas com a Igreja

O arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Avis, recentemente nomeado pelo Papa para o cargo de Prefeito da Congregação do Vaticano para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica manifestou pela grande mídia – claro que com todo apoio desta – seu desejo de conhecer melhor a nova presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. Seu interesse específico é por partes do pensamento da presidenta que ele, Avis, não conseguiu, ainda, avaliar suficientemente.

Antes de seguir com a procissão, não nos esqueçamos do papel no mínimo questionável que a Igreja Católica, a CNBB especialmente e até mesmo o Vaticano adotaram na última eleição presidencial, de que Dilma saiu vitoriosa. Convém não esquecer das cartas aos fieis que várias igrejas distribuíram durante a campanha, atribuindo a então candidata acusações levianas, com o evidente intuito de se aproveitar da inocência e desinformação dos católicos. Alguns culpados vieram à tona, logo padres e bispos responsáveis pelos panfletos “venenosos” foram descobertos, mas o que se viu depois – com a omissão da Igreja diante dos fatos – não deixou dúvidas de que uma ala importante da Igreja Católica no Brasil estava apostando todas as suas orações na eleição de Serra.  E Serra, isso ficou óbvio, se alinhou junto com a direita mais desprezível que temos no país, formada por políticos, jornalões, rádios e redes de televisão como a Globo, CBN, Folha de São Paulo, revista Veja, “Estadão” etc.

Mas, voltemos a Dom João de Avis. Ele quer que Dilma se revele e clamou por isso num tom que sugere certa suspeita de que a candidata não é o que diz ser. Será possível que Dom Avis ainda tenha pesadelos com aquela Dilma que sua Santa Igreja tentou transformar em demônio, enquanto o adversário dela, Serra, carregava a imagem de Nossa Senhora Aparecida e engolia hóstias como um coroinha dedicado? Provavelmente, sim. A Igreja não acredita em um Estaco Laico, que se limite a promover e garantir a liberdade religiosa, mas que se recuse a ser escravo, um mero ajudante-de-ordem do Vaticano, um reprodutor de suas decisões.

Convém que Dom Avis deixe de lado suas supeitas sobre Dilma e aguarde que ela faça o que prometeu, ampliando significativamente as conquistas de Lula. Ou seja: reduzir a desigualdade, combater a miséria e a fome, desenvolver o pais, melhorar a educação e a saúde. A Igreja costuma se esquivar de suas responsdabilidade adotando joguinho de palavras, caprichando naquela velha ladainha, na voz mansa.  Pois é Dom Avis, que tal desviar seu foco de Dilma e deixar que o país continue em sua rota de desenvolvimento? Ou, então, se tem realmente uma queda incontrolável por sondar mistérios, faça-nos um grande favor, Dom Avis: conte-nos direitinho essa história da aliança Igreja-direita-Serra. Pela alma caridosa de Dom Helder Câmara, que certamente estará grudado em sua orelha, inspirando suas revelações.

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