De Zezinho em Zezinho, se faz uma grande Nação

Sede da Casa do Zezinho, em São Paulo...Ah, se não fossem as ongs e os loucos!!!

No momento em que o Brasil discute a educação integral, embutida dentro de um conceito que revê o papel (solitário e ineficaz) da escola no processo educativo, abrindo a janela para a presença não mínima, mas intensa e necessária do Estado Brasileiro na execução dessa nova política, é bom observar gente que faz diferente e chega lá sem tantas delongas e discussões.

Em São Paulo, fincada na pobreza de bairros como o Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim Santo Antônio – algo próximo de 1,5 milhão de habitantes – a ong Casa do Zezinho aplica o que sua presidente, Tia Dag, chama de pedagodia para transformar vidas. São 1.200 crianças e jovens, de seis a 21 anos, envolvidos com todas as formas de arte e atividades que reforçam cidadania, auto-estima,  sonhos…

Essas centenas de zezinhos estão indo para as universidades, para o mercado de trabalho, ressuscitando da fome, da miséria, do preconceito e do descaso oficial. A frase que move todo este trabalho, É agora, José!, uma leitura afirmativa do poema de Drumond “E agora, José?”

Nesta Carta da Tia Dag  (Dagmar Garroux, fundadora e presidente da Casa do Zezinho), aprende-se que, para educar, é preciso, primeiro, seduzir. Um depoimento, enfim,  que eu gostaria estivesse gravado nos ouvidos e expresso na prática de todos os professores, educadores e gestores públicos deste país. Ei-lo:

“Em 1993, quando resolvi fazer a Casa do Zezinho, já trazia 21 anos de periferia no coração. Foi uma luta brava e um longo aprendizado.
Comecei esse trabalho atendendo crianças na Favela do Fedô, Parque Arariba, zona Sul de São Paulo, ao redor da minha casa, onde morava com meu marido e filhos.
Sou uma dessas brasileiras que nunca se conformou com a exclusão. Vinda de uma família de educadores e formada em pedagogia, arregacei as mangas e não parei mais até hoje.
Por que permaneci nesta luta? Porque defendo o direito de sonhar que a criança tem, o direito que ela tem de escolher seu destino, pertença ela a que classe for.
O que a gente tem visto hoje em dia é que muitas famílias vêem o filho como mão de obra, já nasce com esse carimbo, seja pobre ou seja rico (lógico que para os pobres isso é ainda mais explícito). Se é pobre vai fazer cursos de profissionalização, se é rico vai fazer inglês, francês, alemão, computação, tênis, futebol, tudo porque os pais já projetam o futuro do filho. Alguém se lembrou de perguntar para a criança o futuro que ela quer? E assim nega-se a ela um futuro com autonomia de escolha.
E as crianças da periferia? Por que elas têm que ser programadas para o trabalho árido, sem sonhos, sem prazer, sem lazer? Por que o modelo que é válido para a criança da periferia é o do curso profissionalizante? E a arte, a cultura, a brincadeira? A criança já não brinca mais, ela pula esta etapa.
Por que pular etapas? O que é que isso traz de bom para a criança? Por que ela não pode ser moleque e esperar para ser adulta quando adulta ela for?
A criança tem que crescer feliz, sem pular etapas, porque quem cresce feliz vai saber escolher seu futuro. E sabendo, e podendo, escolher o próprio futuro, já é meio caminho andado para que ela seja bem sucedida na vida, seja lá o que for que ela tiver escolhido para si mesma. A escolha foi dela, consciente.”

Visite o site deste pessoal que deixa de lado a vã esperança e escolhe mostrar que é possível construir a realidade alicerçada em amor e respeito.

http://www.casadozezinho.org.br

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