Lei da Anistia, a direita de Kátia Abreu e Serra: um plebiscito marcado para outubro

O BRASIL PODE MAIS, SIM, MAS NÃO COMO A DIREITA QUER

Ontem, dia 13, por decisão de seu presidente (ele, Gilmar Mendes), o STF adiou o julgamento de ação em que a OAB contesta artigo da balzaquiana Lei da Anistia (1979), por entender que não é licito perdoar agentes públicos (policiais e militares) que durante a ditadura praticaram crime de homicídio, lesão corporal, desaparecimento forçado, estupro, entre outras aberrações perpetradas pelos torturadores contra opositores do regime. Não há nova data para o julgamento. Gilmar justificou que se trata de uma matéria complexa e que o Supremo precisa de quórum completo para se dedicar à analise da ação proposta pela OAB.
Também ontem, a senadora Kátia Abreu, da bancada ruralista no Congresso, pois que também preside a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), pediu ao Ministértio da Justiça que a Força Nacional de Segurança entre em ação para evitar que fazendeiros façam “bobagem” ao tentarem se “proteger, sozinhos” dos invasores de terras do MST.
Ensandecida, a “democrata” foi além, comparando as invasões de terras a crimes como a “pirataria, pedofilia e tráfico de drogas”. O pedido foi feito ao Ministério da Justiça, mas sem dúvida receberá o aval do ministro da Defesa, Nelson Jobim (ex-STF), homem muito receptivo a essas teses macabras como o é seu colega do STF, Gilmar Mendes, ambos aclamados pela direita mais que reacionária, que se agrupa – quase numa cópula – em torno da candidatura de Serra à presidência da República, ninado pelo seu iluminado tutor, FHC. A senadora, aliás, já se ofereceu como candidata à vice na chapa de Serra, que também esteve bem próximo de dividir sua chapa com o tenebroso ex-governador do DF, Arruda, libertado ontem do cárcere por ordem do STF.
A direita, é certo, perdeu definitivamente a vergonha, se é que a teve em algum momento. Criminalizar os movimentos sociais, como o MST, tem sido tecla insistentemente batida nos últimos meses, apoiada sem escrúpulos por essa mídia que Paulo Henrique Amorim chama de Partido da Imprensa Golpista (PIG), declaradamente em campanha pela eleição de Serra e assumidamente auto-proclamando seu papel de oposição ao governo Lula já que, explicam, os partidos de oposição estão enfraquecidos para fazer este enfrentamento que poderá levar a ex-ministra Dilma ao Palácio do Planalto, em outubro.
O radicalismo da direita, que se cola nos pulhas da política brasileira, irmanando-se aos conspiradores que derrubaram Jango, apoiaram e participaram – inclusive como torturadores – do golpe militar de 1964, e se descola deles, com a mesma facilidade, quando a água lhe bate na bunda, sugere que o que vem por aí é chumbo grosso, este sim passível de repressão por parte da Força de Segurança Nacional, que a demo-senadora quer ver apontando armas para os sem terra e, quiçá, contra os sem teto, professores, estudantes, pobres.
Receio que a decisão do STF sobre o alcance da Lei de Anistia reivindicado pela OAB sobrevenha mais adiante, num momento “oportuno”, sob o pano de fundo de uma nova “crise” fabricada por Serra e seus aliados.
A reação desmesurada e raivosa que a direita teve, recentemente, diante do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) lançado pelo governo Lula, quando esta mesma direita, no primeiro governo de FHC, não se escandalizou diante da primeira edição do PNDH, deixa evidente que se há alguma ideologia em jogo é a da tomada do poder, não importa como. Eles tiveram de engolir Lula nos primeiros quatro anos de governo do presidente, quase sufocaram com a reeleição do nosso metalúrgico, em 2006 e tomam, agora, como um pesadelo a idéia de ver Dilma prolongando essa agonia que lhes devora as entranhas e os transforma em terroristas.
Ao reivindicar a ação da Força de Segurança Nacional para “pacificar” o campo, “proteger” os latifundiários que a elegeram senadora e para os quais legisla e, com isso, “evitar” que esses fazendeiros “façam bobagens” quando tiveram suas terras improdutivas invadidas, Kátia Abreu seguramente considera que os mais de 1.5OO trabalhadores rurais assassinados a partir de 1984 (dados do próprio MST) pelos pistoleiros de seus “desprotegidos” parceiros não estão à altura da tradição sanguinária que a direita brasileira quer manter e perpetuar.
É essa gente que agora brada que o Brasil pode mais, slogan da campanha de Serra para a campanha deste ano.

Para eles, este pode mais é garantir a impunidade, massacrar os movimentos sociais, calar o povo, encher o bolso da imprensa golpista, vender nossas riquezas, leiloar nossa soberania, sangrar a cidadania, queimar a nossa Bandeira, verter para o inglês a letra do nosso Hino Nacional e profanar a memória dos mortos da ditadura.

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