Uma irlandesa na Guerra do Paraguai

Uma, Elizabeth Alecia Lynch, que posteriormente ficaria conhecida como Elisa Alícia Lynch, nasceu na Irlanda, em 1835, filha de um médico, mais velha de quatro irmãos. A outra, Maria Eva Duarte, mais tarde apelidada de Evita, nasceu em solo argentino, nas imediações de Buenos Aires, em 1919. Evita, que teve a vida transformada  num grande musical e, depois, num filme (estrelado por Madonna e Antonio Banderas), foi mulher do presidente argentino Juan Domingo Perón. Elisa, por sua vez, trocou a Europa pelo Paraguai de seu secundo marido, o presidente Francisco Solano López, com quem tem vários filhos.  A biografia de ambas, que viveram e morreram em séculos diferentes, coincide em vários aspectos: Elisa, que perdeu o pai já na primeira infância, casou-se aos 15 anos com um militar francês, foi abandonada pelo marido poucos anos depois e chegou a frequentar uma certa casa suspeita em Paris, onde oferecia sua beleza (e cultura) aos homens. Foi lá que conheceu Solano López. Evita, também teve uma infância pobre, especialmente depois que o pai a deixou, com a mãe e os irmãos, para assumir a esposa legítima e a prole. Jovem, aos 15 anos, obstinada pela carreira de atriz, seguiu sozinha para Buenos Aires, atuando em filmes e radionovelas. Dizia-se que Perón a conheceu num cabaré.

A diferença substancial entre as duas, que morreram jovens, para ter se limitado à fama. Elisa foi recusada pela elite paraguaia, mas resisitiu a tudo e a todos até a morte do marido e de um dos filhos, Panchito, diante de seus olhos, na Batalha de Cerro Corá, em 1º de março de 1870, que deu desfecho à Guerra da Tríplice Aliança, movida contra os paraguaios pelo Brasil, Argentina e Uruguai. A voluntariosa irlandesa faleceu em 1870, na Europa, depois de ser expulsa de Assunção e proibida de retornar ao Paraguai. Evita, ao contrário, tornou-se uma lenda em seu país, antes e depois de sua morte, em 1952.

Elisa Alícia Lynch, personagem esquecida na história sul-americana.

A biografia de Elisa, quase escondida na Internet e disponível em pelo menos dois livros, descreve uma mulher de fibra, inteligente, à frente de seu tempo, exímia amazona e, sobretudo, corajosa. Enterrou o marido e o filho à frente dos exércitos da Tríplice Aliança, cavando a cova rasa com uma lança. López é herói nacional no Paraguai, enquanto Elisa morreu no esquecimento.

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