A “outra” na vida de Mônica Levinski

Falando a um público pró-Israel, hoje, nos Estados Unidos, a Secretária de Estado Hillary Clinton, frisou que as relações Israel-EUA permanecem “fortes como um rocha”. Surpreendente! Depois, num tom de reprimenda (ensaiada nos bastidores) que absolutamente não cola, esbravejou alguma coisa contra a persistência israelense de construir em terras ocupadas, invadindo gradativamente espaços onde trancafiam a manietam os palestinos. Não desapontou seu público quando persistiu na afirmação de que os EUA não vão tolerar que o Irã produza armas nucleares, o que consideram prerrogativa exclusiva deles, dos Estados Unidos, e de seus parceiros de sempre. Ora, madame Clinton, que não fez frente à gulosa Mônica Levinsky (lembram-se??) nem precisa entender de diplomacia internacional para dizer o que quer, já que tem na retaguarda o país mais belicista e armado do mundo e forças militares presentes nos cinco continentes, esquadrinhando e vigiando cada centímetro quadrado do planeta. Os EUA não querem o respeito de ninguém, preferem ser temidos. Sua história intervencionista, sob os mais ridículos pretextos, tira qualquer dúvida sobre isso. 

Aniquilaram o Iraque por duas vezes, em um década, a última delas para “destruir” armas químicas que jamais foram encontradas. Detonaram o Afganistão. invadiram Granada, assimilaram bem o golpe em Honduras, em 2009, “anexaram” Porto Rico, golpearam de morte o Chile de Allende, apoiaram os aliados ingleses na Guerra das Malvinas, silenciam o Panamá, sustentam embargo contra Cuba, a quem acusam de violar direitos humanos enquanto eles mesmo encarceram “terroristas” naquela ilha, em Guantanamo, nas barbas do regime de Fidel. Vêm perdendo terreno em todas as frentes, principalmente no aspecto econômico, mas não perdem o topete e nunca maquiaram o horror que têm aos povos do sul do continente ou aos africanos. Aliás, se dizem americanos, quando o termo se aplica a todos que nasceram na América (do Norte, do Centro e do Sul). God save América, recitam, mas a América que eles julgam representar. O resto do mundo são povos sem direção, que lhes devem submissão,  republiquetas, “eixos do mal”. Proclamam o desarmamento no planeta porque sua indústria bélica não deve sofrer concorrência, como mostram, ano após ano, os programas que produzem na National Geographic, no Discovery etc, exibindo submarinos e porta-aviões sempre prontos a calar regimes que se opõem aos seus desígnios. Na ONU, afastam do Conselho de Segurança, o único com poder de veto, países como o Brasil e India, com receio de que possam ficar sem quórum para apoiar suas escaramuças internacionais. Abominam armas atômicas, mas é deles, só deles, a única e fantasmagórica ação de extermínio em massa deste naipe, em Hiroshima e Nagasaki. E a madame Clinton ainda classifica de “risivelmente ingênuas” as tentativas do presidente Lula de recomendar a entrada de novos interlocutores para resolver a crise israelo-palestina. Faça-nos o favor, dona Levinsky ou melhor, senhora Clintoris.

EM TEMPO: Liguei a tv agora, aos 14 minutos desta terça-feira, e quem vejo no programa Roda Viva? O  ex-embaixador Rubens Ricúpero, lambari graúdo e cativo na tarrafa do também ex (e que permaneça um eterno ex), o presidente FHC. Com cheiro de naftalina que exala da telinha direto para o sofá, onde me acomodo com Júnior e Dorva (meus cães de meia-guarda), o irrecuperável Ricúpero solta traques sobre Lula, indagando quem é o Brasil para querer se meter na solução da crise entre judeus e palestinos  se nem “os grandes”, os poderosos Estados Unidos e seus asseclas conseguiram, ao longo de décadas, algum progresso naquela disputa? Só a miopia e a surdez oportunista dele para não entender que é justamente por causa da inoperância dos atuais “mediadores” , todos amiguinhos de berço do império israelense, que as soluções não chegam. Como disse Lula, repetindo o post acima, é preciso “mudar os interlocutores”, ao que acrescento:  e evitar que outros Ricúperos da vida voltem a povoar os ceús de Brasília.

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