O não bendito fruto

  A Internet tem disso: muita informação. E pra qualquer gosto. O problema é o gosto, se apurado ou não. Quando falo de muita informação, aludo também à desinformação, que impõe um trabalho extra ao internauta no momento de juntar os cacos e formar um mosaico, clarear a opinião sobre isso ou aquilo. E a desinformação costuma ser servida no mesmo caldeirão da informação. Sonega-se aqui, mente-se lá, tergiverssa-se sem o menor pudor, camufla-se, encobre-se a essência, falsifica-se, ilude-se propositalmente. Para milhões e milhões de brasileiros jovens, que a escola desinformou, perder-se neste labirinto é quase regra. Enquanto isso, do outro lado da telinha, cérebros maquiavélicos plantam e colhem o que querem: o desinteresse por fontes de leitura que não tratem do frugal, do supérfluo, daquilo que só subtrai e cega o senso crítico. O interesse pela dieta matinal de uma “celebridade”, pelo celular novo, pelos “segredos” acobertados numa cama de motel do Big Brother Brasil, por essa tecnologia que faz a sensatez valer infinitamente menos que a capacidade de se obter vantagem em tudo – e sem medir o custo – desautoriza o ser e se posta, de joelhos, diante do ter. Não há qualquer indicador no horizonte à vista que possa nos induzir a crer numa reviravolta. Tudo, ou quase tudo, está dito. E não será bendito o fruto dessa era em que nos tornamos escravos da falta de discernimento.

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